No estádio, hoje são poucos

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Foram exatos 4.510 torcedores até o Carianos para assistir Avaí x São Caetano. Esperava-se um pouco mais, algo em torno de 6.000 almas, mas essa era a expectativa dos esperançosos espirituais. Apenas um desejo, um facho de luz emocional de que o histórico de público médio da Ressacada levasse um olé pelo menos desta vez. Não é assim que funciona. Futebol é lazer e, queiramos ou não, é um produto que depende de algumas variáveis de mercado.
Sem entrar em tecnicismos comerciais, a trairagem da política de preços implantada à fórceps no final de 2009, o sofrimento do avaiano em 2010 e a tragédia anunciada da queda para a série B em 2011 fez saltar a desconfiança do torcedor. O Avaí não caiu, foi jogado morro abaixo de um direito aguardado há 30 anos. E não foi por falta de transações, haja vista o balcão de negócios que se tornou o nosso clube. Administre-se, agora, essa crise de credibilidade. Um desânimo difícil de ser contornado onde nada é transparente.
E a triste ironia são os respingos que atingem até quem não tem nada a ver com isso. Falo do honesto e competente Hemerson Maria e do grupo de atletas que estão entre os de mais vergonha na cara dos últimos anos. Menos de 6.000 para apoiar esses caras é pouco, sim. Esse é o reflexo de mais de uma década de não relacionamento com o verdadeiro dono do Avaí, o seu torcedor. Ele voltará, mas não tão cedo e com aquela média de 10.500 por jogo de 2009. Assim, quem sabe, em 2014.

6 comentários:

Marco disse...

Não concordo,

O torcedor não foi afastado pelo preço da mensalidade/ingresso e sim pelo mau futebol apresentado durante esses anos. Faça uma releitura do público no nosso ano glorioso de 2009 e verás que antes da arrancada de 11 jogos invictos o público na ressacada era ridiculo para um clube de série A. E chegamos ao ponto de um jogo Avaí 1 x 2 Botafogo ter 5.500 almas para assistir. Eu sei porque eu estava nesse jogo.
Você faz um discurso muito bonito e floriado mas nem sempre está baseado em numeros que retratam a verdade.
Concordo contigo, o Zunino fez muita cagada, mas fez coisas boas também. Não sou e nem pretendo ser defensor de ninguém.
Uma mentira repetida diversas vezes se torna verdade, até para o próprio interlocutor. Olha a média de público do Avaí em 2008. Só foi engrenar lá nas ultimas rodadas da série B. Foi reflexo do que? Do pessimo futebol apresentado nos anos anteriores. E não de uma politica de preços equivocada ou quebra de confiança ou todos os blá-blá-blá utilizados por você.

Sempre Avaí.

Paulo Egidio disse...

Gerson, fui sócio 3 anos. Quando me associei escolhi um plano de 55 reais, se eu escolhi esse valor é porque podia pagar ele. 1 ano depois quando o time subiu para a série A o valor da minha mensalidade aumentou para 75 de uma hora para outra, mas tudo bem levando em consideração o acesso a serie A onde os custos são maiores mesmo, entretanto, alguns meses depois essa mensalidade teve um outro aumento de 75 para 95.
Resumindo, eu tinha escolhido uma mensalidade cabível para mim e de uma hora pra outra um aumento grande desse e sem nenhuma outra opção de setor.

Isso chateia o torcedor e diminui a confiança de qualquer um.

Gerson Santos disse...

MARCO, nesse texto o preço do ingresso não foi apontado como a razão do afastamento, mas O INÍCIO das dores. Aliás, essa política foi feita de forma atabalhoada, de um dia para o outro, com informações vazadas no Orkut e sem uma explicação plausível para até 100% de aumento.

O que se seguiu a isso foi o corte de relações com a torcida, cobrança de ingresso para sócios na Copa da Hora (lembra disso?), recorde nacional de negociações um uma mesma temporada (com um saldo patético de R$2,5 milhões, Marquinhos e Renan inclusos) e, principalmente, total ausência de transparência em tudo o que acontece dentro da Ressacada. E por falar em números, se você olhar o balanço de 2011 entenderá boa parte dos "floreios" aqui publicados.

Em tempo: também estava naquele Avaí 1x2 Botafogo de 2009, décima rodada, no setor B, em que fomos parar na zona de rebaixamento. A campanha era horrível, o frio e a chuva cortavam a alma e ainda assim 5.500 pagantes. De lá pra cá os equívocos foram TODOS de ordem administrativa e de comunicação e em menor grau os preços de ingressos.

PAULO, a resposta acima demonstra que te entendo 101%.

Marco disse...

Amigo Avaiano,

Leio seu blog diariamente e muitas vezes concordo com seus comentários sobre falta de transparência, ações administrativas equivocadas e ingerências provocadas pela gestão Zunino.
O que eu nunca concordei é com a ausência de torcedores ser provocadas pelas situações supracitadas e também pela "socialização dos custos" dita pelo nosso presidente no final de 2009/começo de 2010 e repetida por você diversas vezes. Em tempo, o maior tiro no pé que o Zunino deu a frente do Avaí.
Eu acredito e verifiquei isso na prática, com números, uma simples equação:
"Time bom = torcida no estádio"
Nada mais do que isso.
Sinceramente, a grande massa que vai ao estádio não está preocupada com a administração e o preço (não vou ser maluco em dizer que não há exceções)se o time estiver bem vai para o estádio compra o ingresso se endivida, vende a sogra, mas vai ao Estádio. E se o time for mal se afasta, é um movimento natural.
Existe uma mudança nessa tendência com a disseminação da informação através das redes sociais, mesmo assim a minha leitura (por enquanto) sobre o esvaziamento das arquibancadas da ressacada continua sendo um time não confiável.
Peço desculpa pela acidez do comentário anterior, mas também vinha de uma longa discussão cibernética com um amigo meu sobre a possível greve dos cobradores e motoristas de Florianópolis. Li meu comentário hoje de manhã e vi que fui meio rude.

Um dia ainda serei um blogueiro, por enquanto estou estagiando com os melhores...hehehe

Um abraço

Sempre Avaí.

Gilberto disse...

Acho que o Marco Aurélio tem razão, mas em parte. Sem dúvida, o que mais atrai o torcedor é a qualidade do time ou a possibilidade de conquistar títulos. Até aí, nada de novo.

O que ocorre no Avaí, entretanto, é uma gestão tão arrogante e tão distante que o torcedor acaba se afastando por mágoa e por revanchismo em relação à Diretoria. Exemplo prático foi a semifinal contra o Vasco pela Copa do Brasil. Um jogo que em que o Avaí precisava de um 0 a 0, contra o Vasco, e o estádio deveria ter umas 12, 13 mil pessoas, salvo engano. E por que? Porque havia a mágoa do torcedor com os erros da Diretoria, com o balcão de negócios, com a falta de transparência. E olha que naquela época, a Série A tinha recém iniciado.

Um clube precisa entender que o seu maior acionista é a torcida e a ela que a Diretoria Executiva, sempre que possível, precisa atender ou se explicar. Agindo assim, o torcedor apoiará mesmo se o time não tiver a qualidade desejada, pois entenderá que ele é partícipe daquela gestão. Uma situação completamente diferente do que ocorre hoje.

Unknown disse...

A média de 10000 de 2009 é que foi a exceção à regra. O normal da torcida do Avaí são esses 3/4 mil gatos pingados por jogo.

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