Eu não gosto de auto-ajuda. Há muito tempo noto uma armadilha da indústria literária e cinematográfica onde a cada cinco anos surge uma modinha ditada por um iluminado que afirma ter chegado à fórmula do sucesso. Resumidamente, todos, sem exceção, apostam suas fichas num positivismo exacerbado que nada mais faz que requentar o velho mantra do “Eu Posso”. Todo mundo adora isso, se sente revigorado, um Super Homem - "Ahá, agora ninguém me segura". Minha sugestão é a seguinte: pense positivo, claro, mas não esqueça de arregaçar as mangas e botar um diploma nesse corpinho, ok? Sucesso garantido.Silas e a profecia
Pensei muito no que postar no dia de hoje, dormi pensando nisso. Lá pelas tantas lembrei da frase de Silas dita à rádio ontem à noite: o time tem que acreditar. Não foi a frase em si que me chamou a atenção, mas o fato dele ter dito isso pela terceira vez nesse campeonato. Logo após os jogos contra Atlético Mineiro e Coritiba ele disse a mesma coisa. Já me adiantando ao que você deve estar pensando aí, não, não acho que isso seja um tipo de auto-ajuda do Silas. Pra mim é a expressão da mais pura e simples realidade: o Avaí não consegue acreditar. A última vez que vi uma apresentação tão abobada do time azurra foi naqueles 5x1 para a Chapecoense, mas mesmo assim pudemos perceber que os jogadores estavam meio presos, sem tesão, e isso era nítido. Dias depois fiquei sabendo que havia um problema interno, nada sobrenatural. No dia seguinte o presidente Zunino e o técnico Silas deram uns socos na mesa aqui, fizeram umas concessões acolá e tudo voltou ao normal. O Criciúma acabo pagando o pato, lembram?
Limitado, mas não inferiorEmbora a derrota tenha sido péssima para nossa caminhada no campeonato, não é isso o que me preocupa. O que me incomoda é que o time não conseguiu jogar contra o Inter. Não havia problema interno, não faltou vontade, não há atrasos salariais e, com exceção de Léo Gago, o time estava completinho-da-silva. Uma síndrome do “Eu não posso” simplesmente se apoderou da equipe nesse início de Brasileirão, só dando um refresco quando nos apresentamos no Maracanã. Tenho acompanhado as opiniões dos torcedores desde nossa estréia e a confiança no elenco era e é quase unânime. Só não temos uninimidade porque justamente os 11 caras mais importantes desse processo de auto-ajuda-esportiva não acreditam em si mesmos. Simplesmente congelam diante da tradição dos clubes que enfrentamos.
Não temos porque nos enganar em relação às limitações técnicas que já começam a saltar diante de nossos olhos. Os problemas crônicos sentidos no Catarinense ficam ainda mais evidenciadas diante dos grandes do futebol brasileiro. Mas acho que Silas descobriu um novo problema ao perceber que o time também precisa acreditar (aliás, ontem poderia ter dado esse exemplo não "respeitando" tanto o adversário). É isso mesmo, o time precisa acreditar que joga muito mais do que isso, precisa acreditar que do outro lado sempre haverá no máximo 11 homens, e que a taxa de “macheza” deles é igual ou inferior à nossa. Essa compreensão dificilmente nos levará ao título ou à Libertadores, não sejamos ridículos, mas tornará essa trajetória de permanência na Série A muito menos dolorosa. Acredita, Avaí!
3 comentários:
Eu acredito...
Acredito que a série B está chegando bem mais rápido que se imaginava hehehe
Abraços,
Alemão
Eu acredito que em boca fechada não entra mosca, Alemão.
o Alemão acredita em papai noel tb, ele fazia parte daquela trupe que acreditava que o Bgayra iria fazer uma campanha invicta na série B esse ano dentro da geladeira denominada scarpelixo.
Ah ele tb acreditava que a copa seria aqui em floripa e que o cadeião se tornaria a tão sonhada arena multi-uso da copa... e no que ele ainda acredita?
ainda sim, agora, ele ainda acredita que o time dele vai retornar a série A esse ano...
SONHO MEUUU
continuem sonhando, porque enquanto vocês sonham, o Avaí batalha e cresce a cada dia!
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