A imprensa, por Adir José

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Gerson, vai se escrever de tudo neste espaço até amanhã. Opiniões com as quais concordo e opiniões das quais discordo, mas sempre dentro do sagrado direito de todos nós de opinarmos. Mas é sobre este sagrado direito que eu quero falar. Eu sou um jornalista frustrado. Queria, muito, ter feito o curso de jornalismo (não, eu não sabia que mais à frente o STF ia decidir que qualquer um poderia ser jornalista, com ou sem curso) e até por isso acompanho muito o que se faz na nossa imprensa. Como também sou um aficionado por futebol, acompanho muito o que a se produz nessa área. A conclusão a que cheguei, há algum tempo, é a de que comentarista esportivo é o melhor emprego que pode haver. Vários são os motivos, senão vejamos:

Eu, para exercer bem a minha atividade, Técnico Judiciário Federal, preciso estudar leis, regulamentos, portarias, resoluções, súmulas, informativos de jurisprudência além de alguns livros de administração, diuturnamente. Se não faço isso, sou ultrapassado, torno-me obsoleto e vou ser apenas um peso morto para Administração Pública, algo que, definitivamente, não quero para a minha vida. Por isso não paro de me especializar, estudar, procurar ser melhor no que eu faço.

Sabe o que um comentarista esportivo precisa fazer? Estudar futebol. Isso, exatamente, o que eu faço nas horas vagas eles fazem como ofício. É o paraíso, realmente. Mas acredita que tem gente que não faz isso? Sério, é verdade! Tem gente que vai para a imprensa, sabendo (ou não) a força do microfone que tem nas mãos e se contenta com memórias de um passado longínquo, ou com frases vagas como "Há quem diga que...", "Uma raposa felpuda disse que...", ou, ainda, com chavões prontos para cada oportunidade.

Tudo bem, digamos que não podemos exigir a busca pelo aperfeiçoamento destes profissionais (não concordo, mas vá lá. Se até o STF acha que não precisa, quem sou eu). Então acho que podemos exigir coerência e responsabilidade. Nisto concordamos, né? Pois é, então veja do que eu estou falando. Escolhi duas frases que "pesquei" da jornada pós-partida de hoje para ilustrar a falta de coerência e de responsabilidade de um profissional especificamente, mas sem tirar a grande maioria dos outros desta barca:

Um dos torcedores entrevistado após a partida disse que o time sempre foi fraco, desde o ano passado, e que a pressão da torcida no ano passado mascarou os problemas do time. Opinião respeitável, sem dúvida. Pode-se concordar, discordar, mas não se pode dizer que ela totalmente desprovida de fundamento. Mas péra lá. Para defendê-la, quem o quiser fazer vai ter que de duas atitudes tomar uma: ou vai ter que mostrar que já havia dito isto no passado ou vai ter que pedir desculpas e dizer que achava que o time era bom, mas agora tá vendo que ele foi mascarado pela pressão que a torcida fazia. Eu não estou em nenhum dos dois times, porque ainda acho que o time não é tão fraco, haja vista as primeiras partidas do campeonato. Mas o profissional de quem falo, com um microfone importante na mão, simplesmente ratificou a fala do torcedor, como se sua fosse, ainda que até duas partidas atrás tenha repetido várias vezes que este mesmo time era muito bom, não iria cair, e que a bola apenas não estava entrando. E mais, não ouvi, nem na série B, nem no Catarinense, uma vez sequer, algum comentário em praticamente toda a imprensa catarinense que corroborasse esta tese. Incoerência no seu mais alto grau.

Mas vamos lá, pelo menos ele poderia ser responsável, dar apenas opiniões ou informações fundadas em fatos e que não prejudicassem terceiros desnecessariamente. Este mesmo profissional, entretanto, soltou a frase "O Marquinhos está comprometido com alguma coisa que eu não sei o que é". Pai nosso, ou ele tem esta informação importante e pode revelá-la mostrando as fontes ou pelo menos demonstrando fatos, ou ele não pode, por ter escolhido esta profissão, com todo o poder que ela dá, jogar algo no ar contra um outro profissional que, a par de ter jogado mal nas últimas partidas, demonstrou sempre capacidade e profissionalismo. É, também, a irresponsabilidade em seu grau máximo.

Todos sabemos de quem estou falando, mas não resumo a ele este sentimento de que a imprensa esportiva catarinense, em seu microcosmos, representa bem a ditadura da imprensa que vivemos no macrocosmo brasileiro: uma instituição que rejeita o rótulo de quarto poder quando pode lhe trazer alguma responsabilidade extra, mas que abraça este rótulo com todas as forças quando vislumbra atingir alguma vantagem. E vá tentar mexer nesta força... Conselho de Justiça para monitorar um Poder da República é democracia, Conselho de Imprensa para monitorá-la é ditadura!

Adir José é leitor do Blog Avaixonados

6 comentários:

Eve disse...

Excelente, não precisa dizer mais nada.

Hugo Castro disse...

Novidade... concordo em genêro número e "degrau"... a imprensa hoje no País é o principal partido político, imcopetente e manipulador diga-se de passagem, volta-se aos tempos de ditadura...

O pior é ver isso também no lazer, no futebol e em outtras modalidades, algo que é para ser puramente para diverão torna-se instrumento de opiniões únicas para único e total benefício de uma empresa que quer polêmicas para atrair mais ibope.

No meu blog tenho um texto onde expresso minha indignação com nossa imprensa como um todo, quem se interessar:

http://nossomundoeosurf.blogspot.com/2009/05/tele-visao-do-brasileiro.html

Felipe Matos disse...

parabes ao adir, bela reflexão. Mediocridade é a palavra que define a imprensa eportiva catarinense.

e parabens ao blog por dar espaço aos leitores!

Jairo Batistela disse...

adir onde assino embaixo? conseguiu dizer o certo com inteligencia e firmeza. parabéns mesmo.

Adir José da Silva Júnior disse...

Pessoal

Só faltou eu dizer que não quero eu, com este texto, isentar ninguém, da diretoria, da comissão técnica, da torcida, da NASA, do Governo Federal, de culpa quanto à essa péssima fase que estamos passando.

A imprensa catarinense e a fase do Avaí são duas coisas que estão me incomodando muito, mas como uma tá sendo dissecada competentemente pela blogosfera avaiana, resolvi me ater a outra.

Obrigado ao Gérson por publicar e aos amigos aí de cima pelas considerações.

Ariel disse...

Parabens Adir, tu expresasse com uma claridade notavel a opinhao do 100% dos avaianos!!

Ariel O Argentino Avaiano

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