O sócio-torcedor

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Um excelente texto de Erich Beting, falando da visão dos clubes em relação aos sócios-torcedores.

Receita antecipada ou perda de dinheiro?
Modelo adotado em alguns clubes da Europa, o sócio-torcedor é visto hoje como tábua de salvação dos clubes no país. O maior argumento pró-programa é a antecipação de receitas que ele traz. Hoje, o Internacional, líder absoluto com o seu programa, tem pouco mais de 100 mil sócios-torcedores pagando R$ 41,5 milhões ao ano para o Colorado. Sem dúvida é o benchmarking para todos os outros times do país, que ainda tentam fazer seus projetos decolarem.

Mas o Inter é a exceção
No Brasil, o sócio-torcedor é erroneamente tratado como um facilitador dos dirigentes naquilo que hoje é o maior problema do futebol: o acesso do torcedor ao jogo. Os clubes enxergam o projeto como uma forma de "encher" o estádio sem depender da venda de ingressos para uma partida. Foi assim, por exemplo, que o Inter lançou o seu programa. O sócio-torcedor já tinha ingresso cativo para o jogo do time. Veio o título da Libertadores em 2006 e aí o sistema ruiu. A chegada à reta final forçou o clube a brecar o programa e relançá-lo. O motivo, obviamente, é que a procura pelo título de sócio-torcedor era maior do que a capacidade do estádio.

O programa de sócio-torcedor do Colorado foi, então, reprogramado. Em vez de ingresso para o Beira-Rio, o sócio-torcedor passou a ter facilidades na aquisição dos bilhetes, entre outras coisas. Mas, para chegar aos 100 mil cadastrados, foi preciso criar todo um programa de relacionamento com a torcida, por meio de estratégias de marketing, que fez cada um perceber o quanto é possível ajudar o clube pagando uma contribuição mensal e tendo, em troca, alguns benefícios para a aquisição de produtos oficiais, ENTRE ELES o ingresso para o jogo.

A partir do momento em que o clube olha o sócio-torcedor como uma boa forma de tirar o problema de venda de ingressos da frente, ele deixa para trás uma gama de outros torcedores, que não têm interesse em contribuir mensalmente com o time, mas que podem perfeitamente consmuir diversos produtos oficiais, ENTRE ELES o ingresso para o jogo. Os clubes, no final das contas dão as costas para diversos outros tipos de torcedores. São pessoas que podem dar muito mais dinheiro do que uma simples contribuição mensal. E que querem ter o direito de poder, quando lhe interessar, assistir a um jogo do time em seu estádio.

O sócio-torcedor pode ser uma espécie de cliente vip. Encher um estádio só com ele é um tiro no pé. Fecham-se as portas para qualquer outro torcedor, tão fanático quanto o outro, mas que por algum motivo não faz parte do clube vip. Obviamente que é para se comemorar, e muito, a iniciativa de termos cada vez mais sócio-torcedores. Só que eles precisam ter muito mais benefícios do que ir ao estádio, tirar foto com o jogador predileto, etc. Ele tem de ser um privilegiado. Só assim a cultura de consumo do esporte vai mudar. Mas, aos poucos, já podemos perceber que tamanho de torcida não é tão importante. Muito mais interessante é ter um torcedor que seja consumidor. Só assim é que se ganha dinheiro.

5 comentários:

Dyas disse...

Nice blog and very interesting. I will return.

Gerson Santos disse...

I hope so.

Rodrigo V. R. disse...

Perfeito o texto e destaco o seguinte trecho: "Os clubes, no final das contas dão as costas para diversos outros tipos de torcedores. São pessoas que podem dar muito mais dinheiro do que uma simples contribuição mensal. E que querem ter o direito de poder, quando lhe interessar, assistir a um jogo do time em seu estádio."
Sou sócio do Avaí mas a diretoria devia lembrar dos demais torcedores. Abraços

Jairo Batistela disse...

um excelente texto para reflexão. tem que cuidar da galinha dos ovos de ouro. é isso mesmo.

Marcelo B. disse...

Gostei do texto. É interessante analisar todas as modalidades de sócios existentes nos clubes para acharmos uma que melhor se encaixe com o tamanho e potencial financeiro de nossa torcida.

Calculando ticket médio de R$ 55,00 e 12mil sócios, teremos receita anual de aproximadamente 8 milhões de reais. Ainda temos os camarotes que podem gerar mais 1 milhão ao ano. Acho um bom valor para nossa fase atual.

Um sócio do Setor A, como eu, paga R$ 80,00 ao mês, ou R$ 960,00 no ano. Foram 13 jogos no Catarinense 2009 e serão 19 na Série A, resultando em 32 jogos no ano, o que daria R$ 30,00 por jogo.

É um valor razoável para o estágio em que estamos, mas com a participação na Copa do Brasil e na Sulamericana (tomara!), o valor da mensalidade DEVE ser reajustado.

Acho que devemos manter esse sistema, que pra mim é muito vantajoso não ter que ir no caixa comprar ingresso, basta chegar e entrar.

Estamos no caminho certo, mas como vc falou, uma hora ou outra teremos de fazer ajustes nessa proposta de sócio-torcedor.

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