Relatório de Viagem - Parte Final

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Como prometido, vamos à segunda e última parte do Relatório de Viagem ao Internacional de POA, realizado no último dia 26 de junho. Na primeira parte vimos o Colorado em números, sua infra-estrutura, os programas que realiza e como implementa alguns de seus negócios. Hoje concluiremos as fofocas desse mini-estágio falando do remédio amargo que representou a grande virada de um clube quase decadente para uma potência esportiva nacional.

Chega de vergonha
No fim de 2002 o clube amargava uma quase queda para a série B do Brasileirão e um histórico de 20 anos sem um título significativo. A auto estima de seu torcedor estava no chinelo e o quadro de associados estava na casa dos 5mil sendo que apenas 2mil eram ativos. Um verdadeiro caos administrativo, financeiro e esportivo estava instalado às margens do Guaíba. O amadorismo era a tônica e a única alternativa era uma reviravolta completa em todas as áreas. O recém empossado presidente Fernando Machado de Carvalho chamou seus diretores e decretou: “Chega de vergonha. Virem-se”. Ato contínuo, uma empresa de consultoria em gestão administrativa foi contratada para colocar o trem novamente nos trilhos.

Choque de Gestão
A primeira constatação foi óbvia, o clube de futebol precisava tornar-se uma empresa e buscar lucros por meio da profissionalização de seus departamentos. Tradução: muita gente na rua. Mas no futebol a coisa não funciona bem assim e o Inter tinha (e tem) um grande respeito por aqueles que não abandonaram o barco na época de vacas magras. O meio termo encontrado foi dar um prazo de seis meses para que todos se adaptassem à realidade do mercado, com metas determinadas e que deveriam ser alcançadas. Muitos não acrediatram, muitos não atingiram as metas, muitos foram demitidos. Não bastava parecer empresa, o Colorado precisava pensar como empresa.

Auto estima
As campanhas de marketing que se seguiram sempre trataram da reconquista do orgulho de seu torcedor. Isso passava necessariamente pelo erguimento de um time vencedor. Aprendi que todos os resultados fora de campo dependem em muito daquilo que acontece dentro quatro linhas, mas até o time pode e deve ser planejado. Profissionais contratados diretamente no mercado (Coca Cola, Pepsi, RBS, Gerdau) trataram de planejar e correr atrás de verbas vendendo basicamente o sonho de um clube que voltaria a ser campeão. Funcionou: Campeonatos Gaúchos, Libertadores, Mundial e 100mil sócios.

Curiosidade
Lembram do Rodrigo, torcedor colorado fanático que apareceu no vídeo na primeira parte desse Relatório de Viagem? Ele fala de um jeito que poderia nos fazer corar de vergonha diante de tanto amor ao clube, não é verdade? Mas revejam o vídeo (aqui) e notem que ele afirma ser sócio há apenas quatro anos. Esses torcedores e sua juras de amor...

O cara
Conversei com quase todos os diretores do Internacional, inclusive com o presidente Vitorio Piffero (assim mesmo, sem acentos). Mas evidentemente meu sonho de consumo era conversar um pouquinho que fosse com a “vaca sagrada”, o Diretor de Marketing Jorge Avancini, o grande maestro dessa virada institucional do clube. Já era meio-dia e esse moço chega de supetão e me pergunta onde iria almoçar... e eu sei lá? O pequeno-grande Jorge (1,65m no máximo) me leva pelo braço até um restaurante normal, nada suntuoso, onde ficamos conversando por quase duas horas. Falamos de muitas coisas relativas ao Avaí e Internacional. Uma verdadeira aula de negócios, sem falsas paixões ou fantasias mirabolantes. Até pitaco ele deu, o abusado.

Minhas críticas
Coloquei em xeque algumas coisas que me pareciam equivocadas no Internacional, que não fechavam e davam a idéia de erros estratégicos imperdoáveis. Pacientemente, Jorge ouviu minhas dúvidas/críticas e com uma risadinha sarcástica tascou após um longo silêncio: “E tu acha que eu vou dar a receita do bolo pro meu concorrente, tchê?” Filho da mãe. Explicou o porque de cada coisa, mas concordou em pelo menos um ponto: seu site ainda é uma ferramenta de negócios pouco explorada. Aliás, a mídia digital é o calcanhar de Aquiles da empresa vermelha dos Pampas.

O segredo dos 100mil
Minha maior curiosidade era saber a mágica para a conquista de 100mil sócios, algo praticamente inacreditável para o futebol brasileiro. A filosofia desse segredo é extensa, impossível de reescrever aqui no Avaixonados, então prefito pinçar a pontinha do iceberg. Para o Internacional o torcedor não deve ser sócio do ingresso, mas sócio do clube, o que é completamente diferente. Isso explica, por exemplo, porque 40% de seus associados sequer frequentarem o estádio. Mas esses torcedores ganham algo em troca? Claro que ganham, imagina. Além do orgulho de poderem colaborar com a instituição Internacional, o que é muito trabalhado por meio de seu Departamento de Marketing, há grandes compensações materiais e emotivas por esse ato de fidelidade. Não, essas compensações você não encontrará no site, é coisa que os torcedores só ficam sabendo em contatos pessoais. Logo abaixo vocês têm um vídeo gravado com o Diretor Administrativo, o Sr. Alexandre Limeira, falando sobre essa visão em relação aos sócios:
Fim da visita
Saímos do restaurante por volta das 14hs. Voltamos para o Beira Rio onde permaneci até às 18hs. Uma maratona. Saí com uma sacola entulhada de brindes, vídeos institucionais e materiais impressos de altíssima qualidade. Resumidamente, esse é o resultado de sete longos e duros anos de aplicação do Planejamento Estratégico. Hoje o Internacional é uma empresa comum, normal, como outra qualquer do mercado. Ou seja, junto com São Paulo e Atlético Paranaense, são os ET’s do futebol brasileiro. Depois de tudo que vi e ouvi nesse estádio construído em cima de uma área aterrada do rio Guaíba, termino esse Relatório de Viagem parafraseando nosso querido Tom Jobim: “O Internacional é bom, mas é ruim. O Avaí é ruim, mas é bom”.

Gerson dos Santos
Enviado especial da paixão avaiana ao congelante Rio Grande do Sul
* Os links de ambos os Relatórios foram enviados para Inter de POA e Avaí FC.

9 comentários:

Pricilla disse...

Acho que são mudanças como essas feitas pelo Internacional que tem que ser pensadas pelos dirigentes do Avaí, esse sentimento tem que ser criado no torcedore avaiano. Como foi bem colocado pelo Dir. Adm. do Inter, o sócio tem que ser sócio do clube e não somente um sócio de "ingresso".
Parabéns ao Internacional e parabéns Gerson, pela iniciativa de ir até o RS e trazer tantas alternativas que podem se encaixar ao nosso Leão!!!
Saudações Azurras

Jairo Batistela disse...

cara essa tua matéria é sensacional, muito rica em em conhecimentos. acho que algumas coisas parecidas até já começaram a ser implantadas no Avaí, só não pode parar tem que continuar. vc está devendo só a sua opinião na campanha o nosso amor é azul ta lembrado?

Guilherme Quadros disse...

O principal disso tudo é a mudança de mentalidade. O Avaí pode, e deve, conduzir os avainos para essa tal mudança, seja ela qual for, desde que consiga atingir as metas que o Zuzu tanto quer.

Gerson Santos disse...

Como frisei no Relatório Anterior, a simples comparação entre os dois clubes seria irresponsabilidade, pois a história e currículo de ambos é completamente diferente. Sem falar que um conta com 6milhões de adeptos, quase uma Santa Catarina inteira. Não tenho dúvidas que o Avaí de hoje não é nem SOMBRA do que era há 5 anos, talvez menos. Evoluímos muito, o que nos remete a uma responsabilidade ainda maior. Vejo esse caminhar constante e equilibrado de nosso clube, penso apenas que poderia ser com mais agilidade. Note que falo de AGILIDADE e não de PRESSA.

Rafael VE disse...

Gerson,
e te responderam os e-mail com os links?

Gerson Santos disse...

Rafael, já recebi retorno do Inter parabenizando e convidando para uma nova visita. No Avaí, enviei para quatro diretorias, me colocando à disposição para repasse de informações mais detalhadas. Por enquanto nenhum retorno.

Rodrigo V. R. disse...

O gerson quando vais comentar sobre essa campanha de sócios do Avaí ? Não aguento mais aquela propaganda com aquela música medona chego a mudar de canal, não vi nada de diferente e nada de novo. Sem querer cornetiar mas ja cornetiando hahahaha Abraços

Unknown disse...

Conclusão: o clube é do torcedor, que deve dar a ele o valor que tem no coração... o limite médio do desempenho é conseqüência direta disso. Torcida de resultado não é torcida, é parasita!

Gerson Santos disse...

Rodrigo, vou comentar na semana que vem. Vi aspectos positivos e não tão positivos, o que à essas alturas de nossa campanha no campeonato pouco importam. Mesmo que fosse uma campanha perfeita, com um orçamento de 50milhões e com Pelé fazendo o chamamento, osa resultados seriam os mesmos. A melhor campanha de sócios acontece dentro dos gramados. E ela vai começar com nosso vitória diante do Botafogo. Ai Jisus...

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