Um avaiano em "terras estrangeiras"

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Nós, blogueiros avaianos, temos um mailing de endereços eletrônicos por meio do qual trocamos informações e idéias em relação ao Avaí e afins. Hoje fomos supreendidos por um testemunho de Sérgio Leandro, CEO do blog Esse Avaí faz Coisa. Ele fala de sua experiência de torcer por um clube catarinense em territoório catarinense. Você pensa que isso é a coisa mais normal do mundo, não é? Hã, então segue um trecho de seu relato:

"Pessoal, na semana passada durante o jogo contra o Grêmio eu estava a trabalho indo da cidade de Pinhalzinho para a cidade de São Lourenço do Oeste (...) o Oeste Catarinense é cataúcho de carteirinha o primeiro time do coração aqui é Inter ou Grêmio, depois vem a Chapecoense, mesmo sabendo que iria encontrar vários cataúchos assistindo e torcendo para o Grêmio fui ao “boteco” para ver o jogo. Durante o jogo recebi vários olhares de reprovação (...) nada muito assustador, no entanto ao final do jogo ao comemorar mais uma vitória de nosso time, alguns torcedores quiseram me repreender. (...) alguns mais exaltados me mandaram embora para floripa (...) o dono do “boteco” logo pediu para se acalmarem e o negocio passou. Hoje estou em Palmitos também no Oeste e conversando sobre futebol em um restaurante novamente aconteceu isso, mas desta vez com um rapaz que entrou no restaurante com um agasalho do Avaí. Começaram a falar gracinhas do tipo "só pode ser da Capital, têm que torcer para time não essas porcarias". Fiquei só olhando, o rapaz sentou em um canto e pediu uma cerveja, então fui até falar com ele, o cara é morador daqui, sempre foi, mas ninguém aceita que ele seja torcedor do nosso time e não de um time do RS".

Sei muito bem do que o amigo Sérgio Leandro fala. Morei no meio-oeste catarinense por um ano e meio, de 2003 à 2004, e pude perceber essa indisposição do povo para com tudo o que está relacionado à capital. Pelo que pude perceber, algumas são as razões que originaram e ainda alimentam esse estado de antipatia, por assim dizer:
. a colonização gaúcha, o que por si só já explica muito desse atrito esportivo;
. o nome Capital. Isso os lembra que são interior, o que traz em seu bojo um certo complexo;
. a fama de que esta é a cidade dos “vida-mansa”, os funcionários públicos;
. é um povo muito trabalhador e por isso não acreditam que seja possível produzir numa cidade cercada por 42 praias. Sentem-se usados por carregarem o Estado “nas costas”;
. nas TV’s os telejornais invariavelmente falam alguma coisa daqui, o que alimenta um pouco mais essa dualidade de amor e ódio;
. não têm futebol. É só a Chapecoense mesmo e olhe lá.
O que temos é um grande desafio se quisermos estender nossa influência esportiva não só para essa região, mas para o Estado de Santa Catarina como um todo. É um trabalho árduo, de cunho social e cultural, que haverá de retomar os espaços hoje ocupados por clubes do RS, RJ e SP. O melhor atalho são os Consulados Avaianos, projeto que precisa ser implantado e gerenciado com uma visão de longo prazo, e põe longo nisso. Bom, por hoje era só. E para não terminarmos o post em baixo astral, fique com a imagem de Jamila Fernandes, a belíssima Miss Chapecó. Vai, agora confessa: não dá vontade de fazer as pazes com o povo do Oeste?

10 comentários:

Rafael Petry disse...

Sou blogueiro Alvinegro e moro no Sul do Estado. Aqui não existe torcedor de time da capital, em Criciúma o pessoal até torce pela tigre, mas fora de lá, só times de SP e Rio. Quando me perguntam para que time que torço ficam meio sem graça com a resposta. Viva o pessoal Catarinense! Amo quem torce para times de SC, torcer por um time é muito mais que futebol, é a escolha pela tradição daquela região, o pessoal que torce pra times de fora nunca terão isso.

Rafael Petry
Blog Máquina Alvinegra

Bruno Carvalho - Resistência Avaiana disse...

Sei bem como o Serigo se sente, estou neste momento em Campos Novos, outra cidade cheia de "catauchos".

Quando o AVAI jogo contra o Goias, sai aqui do hotel e fui ate um bar ver o jogo, la chegando so vi camisas do Gaymio (que estava jogandocom o Coritiba), eu com a camisa do AVAÍ no pescoço ja fui surpreendido pelos mesmos olhares de reprovacao.

Como nao sou de baixar a cabeça, olhei pro garçon na minha frente e disse "Vai passar o jogo do AVAI?" Ele olhou pra tras (em direcao as dezenas de torcedores do Gaymio) e me disse que na TV passaria o jogo do Gaymio. Calmamente olhei praquele pessoal, olhei pro garçon e disse "E eu pensando que Campos Novos ainda era Santa Catarina..."

haha

Antes que aquele povo todo se levantasse eu dei as costas e fui ouvir o jogo no raidinho no meu carro.

Com relacao a futebol, esse povo do Oeste nao tem identidade nenhuma...

Sds

Anônimo disse...

E não obstante, um avaiano ou gueira no RS seria tratado normalmente. Já usei a camisa do Avaí nas missões e ninguém me aborreceu. Por desconhecimento, talvez, mas muito pela ausência de rivalidade. A questão do interior x capital é histórica e não será facilmente resolvida. Quando viajo pelo oeste, meu sotaque gaúcho é salvo conduto, mas quando me identifico como morador da capital passam a me olhar com indisfarçável reserva. Fazer o que, se quando os caras vem aqui são hostilizados... Em "compensação", quando vou para a região do litoral norte amargo os dois preconceitos: gaúcho e morador da capital. E assim caminha a humanidade. Abs.

Adir José da Silva Júnior disse...

Grande Gerson

Rapaz, lembra quando falei em coerência da imprensa naquele post que tu me deste o orgulho de publicar em teu blog? Lembra também que eu relatei que o Bob Vasel falou que o time era fraco e subiu para a série A mais pelo apoio da torcida do que pela sua qualidade. Pois é, a coluna dele hoje é mais um show de incoerência:

"O Avaí ainda curte a vitória na Arena. De lá para cá, a frase que mais ouvi foi esta: “O time do Avaí é muito bom”. Como todo torcedor, concordo. Faltava apenas ajustar o esquema, com melhor marcação; qualidade a equipe tem. Em casa ou fora, é preciso jogar da mesma forma."

Jairo Batistela disse...

isso parece até ficção científica catarinense sendo encarado de lado por torcer por times daqui. entenderia a rivalidade estadual, mas gente daqui perseguindo gente daqui por causa de times de fora é exagero.

Felipe Matos disse...

acho que depois dos 6 a 1 na final eles ficaram ainda mais nervosos e já vão logo pro risca-faca! hehe

abs!

Gerson Santos disse...

Rafael, não fique sem graça, não. Sinta-se orgulhoso. Não seu um aculturado esportivo é motivo de regozijo.

Adir, só tu mesmo. Merece um post esse seu comentário. Sei ixtepô.

Jairo, esse é um evento nada exclusivo à SC. É praticamente assim em todo país, a eterna rixa entre capital e interior.

Felipe, o problema maior não foi ter dado essa chinelada de 6x1. Cavamos nossa cova foi vencendo o Grêmio deles hehehe

Rodrigo Buch disse...

Gerson,

então vou te contar uma mais inusitada, atualmente resido em são paulo, e ano passado pela serie b fui ver avai x bragantino em bragança, bom encurtando a historia, encontrei por la um cara vestido a paizana apenas com um botom do avai na lapela e como um sotaque de gringo carregado, pois bem nome dele é John, Ingles de Liverpool e torce sabe pra quem? AVAI.
na hora não acreditei e perguntei pra ele se ele torcia para o liverpool tambem e ele de pronto me disse não meu time é so o AVAI.
ele vem todos os anos para o Brasil para ver de 4 a 6 jogos do leão.
nos tornamos amigos e na proxima sexta o john desembarca aqui e eu vou retrebuir a visita que eu fiz a ele agora no mes de julho e ele vem para ver junto comigo a sequencia de jogos do leão em agosto fora e dentro de casa.

ESSE AVAI FAZ COISA!!

Tássio disse...

Sou outro que tenho propriedade pra falar sobre isso. Aqui em Rio do Sul é só time de fora, mas o bom é que sempre existem surpresas avaianas. brocolinos é muito menos, podem ter certeza.

Unknown disse...

Temos de decidir se queremos ser o segundo time de todos os brasileiros na série A (tipo Portuguesa), ou se queremos ser o primeiro time de todos os catarinenses. Digo isso porque vi a pouco o jogo do co-irmão e não pude deixar de me sentir um pouco representado por um torcedor que não parava de tremular a bandeira do estado. Somos azuis, mas podemos, o Avai e os avaianos, de alguma forma acolher o vermelho e o verde, fazendo com que todos os catarinenses possam se sentir representados, inclusive aqueles que não curtem futebol. E ainda assim, podemos ser o segundo time dos outros, porque não existe estado mais simpático e trabalhador que o nosso.

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