Abaixo da média

|
Prometi comentar sobre o público que passou pelas catracas da Ressacada no jogo contra o Náutico, um pouco mais de 9.200 almas pagantes (total de 10.016). Dando uma olhada em meus arquivos percebi que já tinha abordado assuntos parecidos aqui, aqui e aqui.

Li uma frase na Comunidade do Orkut onde o torcedor afirmava que estava provado que o nosso problema não era o valor do ingresso, pois mesmo com a promoção de 40%, ainda assim tivemos um resultado fraquíssimo nas bilheterias. Vejo tres sérios problemas que, se não justificam, pelo menos explicam estarmos em 17° lugar no público médio total entre os 20 clubes do campeonato:

Acesso - o pior do Brasil. Um colega que mora em Coqueiros relatou que 5min separam sua casa da Barbielândia, ali no Estreito. Ao chegar nas imediações do estádio, ele leva cerca de 10min até sentar em sua cadeirinha esverdeada, e isso com qualquer público. Disse-me ele: “Se o Figueira jogasse onde vocês jogam, o público só passaria de 5mil em decisão de campeonato”.
Preço do Ingresso - o mais caro do Brasil. Como comparativo, amanhã, em BH, uma cadeira custará R$20,00. Embora considere suicídio à médio e longo prazo, respeito essa decisão da diretoria azurra. Saliento apenas que quando o clube olha o sócio-torcedor como uma forma de garantir o “fixo” eliminando a venda de ingressos, ele deixa para trás uma gama de outros torcedores, que não têm interesse em contribuir mensalmente com o time, mas que podem perfeitamente consumir diversos produtos oficiais, entre eles o ingresso para o jogo.
Pay Per View - essa “praga” se alastrou feito gafanhoto. Se você prestar atenção verá que qualquer boteco de esquina tem lá uma TV conectada que convida os clientes a não enfrentarem as 2hs pra ir e as 2hs para vir da Ressacada. Isso sem falar nas residências. No fim das contas milhares de torcedores optam pelo conforto e segurança de não ir .

O hábito faz o monge
Esse cenário me traz uma preocupação central: a falta do hábito de ir à campo. Se é verdade que “o pote vai tanto à bica que um dia lá fica”, então temos um problema estabelecido quando os torcedores encontram razões, objeções e facilidades para não frequentar a Ressacada. O vínculo de relacionamento e reponsabilidade para com o clube fica enfraquecido: “O Avaí já ganha com a cota da minha TV, do meu PFC e da minha Timemania. Eu dou lucro”. Dá sim, é verdade, mas é pouco, tão pouco quanto a nossa média de público na série A. Foto Ricardo Duarte

2 comentários:

Hugo Castro disse...

P-E-R-F-E-I-T-O.

Gérson, é isso aí mesmo, todos esses 3 fatores que você citou são determinantes para o público fraco na ressacada, entre esses 3 destacos os dois últimos: o preço dos ingressos e os PPV's espalhados pelos butecos dos bairros de nossa cidade. O trocedor já acha trabalhoso se deslocar até o templo sagrado, chega lá e ainda tem que pagar 120 em uma cadeira... logo ele pensa assim: "compensa bem mais eu ir com meus amigos no buteco, gastar com cervas em vez de estacionamento e ingresso e ainda assistir de boa, perto de casa".

E ainda assim o clube com essa estratégia não está pensando em longo prazo.. ou se está, acho que de uma maneira equivocada, com todo respeito a esse planejamento do clube.

Você resume muito bem esse fato:

"Saliento apenas que quando o clube olha o sócio-torcedor como uma forma de garantir o “fixo” eliminando a venda de ingressos, ele deixa para trás uma gama de outros torcedores, que não têm interesse em contribuir mensalmente com o time, mas que podem perfeitamente consumir diversos produtos oficiais, entre eles o ingresso para o jogo."

perfeito.

Abraços.

Gerson Santos disse...

Hugo, venho notado seus comentários aqui e saiba, foi você que me chamou a atenção para algumas coisas que escrevi. Ah, se os leitores soubessem como me influenciam... rs

Postar um comentário